Prova de vida e cartas da Segurança Social quando se vive no estrangeiro
A pensão portuguesa continua a ser paga a quem vive fora. O que muda é o caminho do aviso: a Segurança Social comunica por via eletrónica ou por carta, e a carta vai para a morada que tem registada no processo. Se essa morada é a casa da aldeia, a casa que já foi vendida ou a morada de um familiar que passa lá uma vez por mês, o aviso existe, foi enviado, e ninguém o leu.
A consequência não é um lembrete. É a pensão suspensa.
O que estava em causa em 2026
A prova de vida é um ato anual que os pensionistas residentes no estrangeiro têm de fazer para manter o direito à pensão. Em 2026 foram chamados os pensionistas que em 2025 tinham morada na Bélgica, no Canadá, em Cabo Verde, no Luxemburgo, nos Países Baixos, no Reino Unido e na Suíça, com prazo até 15 de setembro de 2026.
Como se faz, e quem a pode fazer
São três caminhos, e nenhum deles passa por nós:
- Digital, por biometria. Na aplicação móvel da Segurança Social, com o NISS e a data de nascimento, sem autenticação prévia. É o caminho mais rápido e o que a Segurança Social tem promovido.
- Na Segurança Social Direta, submetendo os documentos pedidos.
- Presencialmente, num posto consular ou embaixada de Portugal no país de residência, ou junto do responsável por assuntos de Segurança Social local.
Para os pensionistas da função pública, a Caixa Geral de Aposentações tem um processo próprio, com as suas próprias datas e formulários.
O que muda em 2027
Está anunciado que, a partir de 2027, a prova de vida passa a ser obrigatória para todos os pensionistas residentes no estrangeiro, independentemente do país ou da idade. Ou seja, o que este ano tocou a sete países passa a tocar a toda a gente que recebe pensão portuguesa e mora fora. Vale a pena confirmar as datas no portal da Segurança Social quando a campanha do próximo ano abrir.
As outras cartas que continuam a sair em papel
A pensão é só uma das linhas. Quem saiu de Portugal e manteve lá alguma coisa continua a receber, em papel e numa morada portuguesa:
- Avisos da Caixa Geral de Aposentações e da Segurança Social, incluindo os de prova de vida.
- Notificações das Finanças e avisos de IMI, quase sempre com prazo a contar.
- Cartas do banco: contratos, cartões, códigos, avisos de conta inativa.
- Condomínio, seguradoras, água, luz e gás.
Uma parte segue como carta registada, e uma carta registada precisa de assinatura. Se ninguém assina, o envelope volta ao remetente, e o prazo em regra já começou a contar quando a carta foi enviada para a morada registada.
O que uma morada de correspondência resolve
Resolve uma coisa concreta: o aviso e a notícia do aviso passam a chegar no mesmo dia. As cartas são recebidas numa morada portuguesa real, abertas ao abrigo do mandato escrito que assinaste, digitalizadas e enviadas por email em 2 dias úteis. As registadas são assinadas ao abrigo do mesmo mandato. Os originais ficam guardados 60 dias e podem ser reenviados para onde vives por 10 € mais portes dos CTT.
| Quem recebe a carta | Quando ficas a saber | Assina registadas |
|---|---|---|
| Morada antiga, sem ninguém lá | Nunca, ou quando a pensão para | Não |
| Um familiar | Quando essa pessoa puder e se lembrar | Só com mandato escrito |
| Reexpedição dos CTT para o estrangeiro | Semanas depois, e o envelope chega fechado | Não |
| Morada de correspondência (Portugal Mailbox) | Em 2 dias úteis, por email | Sim, sob mandato escrito |
E o que não resolve
Não faz a prova de vida por ti, nem trata da pensão, nem fala com a Segurança Social em teu nome. Não é prova de residência, não é morada fiscal, não é sede social de empresa e não recebe encomendas. Se o que precisas é de um representante fiscal ou de mudar a morada oficial no teu processo, isso resolve-se com a Segurança Social, com as Finanças ou com um contabilista, e não com uma caixa de correio.
O correio só é aberto porque assinaste um mandato que o autoriza e porque a tua identidade foi verificada antes de a morada ser emitida. Abrir correspondência alheia é crime em Portugal, artigo 194.º do Código Penal, e é por isso que o mandato escrito e a verificação de identidade existem em vez de serem um passo que se pudesse saltar.
Uma morada portuguesa que alguém vigia de facto
Cartas recebidas, abertas sob o teu mandato, digitalizadas e enviadas por email em 2 dias úteis. 9,99 €/mês, 5 cartas incluídas, cancelas quando quiseres.
Ter a minha morada · 9,99 €/mêsFontes: Guia Prático da Prova de Vida e comunicações da Segurança Social sobre a prova de vida de pensionistas no estrangeiro, consultadas a 18 de setembro de 2026. As datas, os países chamados e os procedimentos mudam de ano para ano: confirma sempre em seg-social.pt ou no teu posto consular antes de decidir. Esta página é informativa e não é aconselhamento fiscal ou jurídico. Ver também: quanto custa a reexpedição dos CTT em 2026, conta bancária bloqueada por dados desatualizados, a morada portuguesa para quem vive no estrangeiro e, em inglês, as cartas das Finanças para quem vive fora.