Guia · Pensões e Segurança Social

Prova de vida e cartas da Segurança Social quando se vive no estrangeiro

18 set 2026 · 6 min de leitura

A pensão portuguesa continua a ser paga a quem vive fora. O que muda é o caminho do aviso: a Segurança Social comunica por via eletrónica ou por carta, e a carta vai para a morada que tem registada no processo. Se essa morada é a casa da aldeia, a casa que já foi vendida ou a morada de um familiar que passa lá uma vez por mês, o aviso existe, foi enviado, e ninguém o leu.

A consequência não é um lembrete. É a pensão suspensa.

O que estava em causa em 2026

A prova de vida é um ato anual que os pensionistas residentes no estrangeiro têm de fazer para manter o direito à pensão. Em 2026 foram chamados os pensionistas que em 2025 tinham morada na Bélgica, no Canadá, em Cabo Verde, no Luxemburgo, nos Países Baixos, no Reino Unido e na Suíça, com prazo até 15 de setembro de 2026.

Se o prazo passouQuem não fez a prova de vida dentro do prazo vê o pagamento suspenso a partir de novembro de 2026. A pensão é retomada depois de regularizada a situação, e os valores em atraso são pagos, mas há meses sem dinheiro a entrar. Regularizar é possível a qualquer momento: o caminho está na secção seguinte.

Como se faz, e quem a pode fazer

São três caminhos, e nenhum deles passa por nós:

Para os pensionistas da função pública, a Caixa Geral de Aposentações tem um processo próprio, com as suas próprias datas e formulários.

O que muda em 2027

Está anunciado que, a partir de 2027, a prova de vida passa a ser obrigatória para todos os pensionistas residentes no estrangeiro, independentemente do país ou da idade. Ou seja, o que este ano tocou a sete países passa a tocar a toda a gente que recebe pensão portuguesa e mora fora. Vale a pena confirmar as datas no portal da Segurança Social quando a campanha do próximo ano abrir.

Em uma fraseO problema quase nunca é a prova de vida em si, que se faz pelo telemóvel em minutos. O problema é saber, a tempo, que ela foi pedida.

As outras cartas que continuam a sair em papel

A pensão é só uma das linhas. Quem saiu de Portugal e manteve lá alguma coisa continua a receber, em papel e numa morada portuguesa:

Uma parte segue como carta registada, e uma carta registada precisa de assinatura. Se ninguém assina, o envelope volta ao remetente, e o prazo em regra já começou a contar quando a carta foi enviada para a morada registada.

O que uma morada de correspondência resolve

Resolve uma coisa concreta: o aviso e a notícia do aviso passam a chegar no mesmo dia. As cartas são recebidas numa morada portuguesa real, abertas ao abrigo do mandato escrito que assinaste, digitalizadas e enviadas por email em 2 dias úteis. As registadas são assinadas ao abrigo do mesmo mandato. Os originais ficam guardados 60 dias e podem ser reenviados para onde vives por 10 € mais portes dos CTT.

Quem recebe a cartaQuando ficas a saberAssina registadas
Morada antiga, sem ninguém láNunca, ou quando a pensão paraNão
Um familiarQuando essa pessoa puder e se lembrarSó com mandato escrito
Reexpedição dos CTT para o estrangeiroSemanas depois, e o envelope chega fechadoNão
Morada de correspondência (Portugal Mailbox)Em 2 dias úteis, por emailSim, sob mandato escrito

E o que não resolve

Não faz a prova de vida por ti, nem trata da pensão, nem fala com a Segurança Social em teu nome. Não é prova de residência, não é morada fiscal, não é sede social de empresa e não recebe encomendas. Se o que precisas é de um representante fiscal ou de mudar a morada oficial no teu processo, isso resolve-se com a Segurança Social, com as Finanças ou com um contabilista, e não com uma caixa de correio.

O correio só é aberto porque assinaste um mandato que o autoriza e porque a tua identidade foi verificada antes de a morada ser emitida. Abrir correspondência alheia é crime em Portugal, artigo 194.º do Código Penal, e é por isso que o mandato escrito e a verificação de identidade existem em vez de serem um passo que se pudesse saltar.

Uma morada portuguesa que alguém vigia de facto

Cartas recebidas, abertas sob o teu mandato, digitalizadas e enviadas por email em 2 dias úteis. 9,99 €/mês, 5 cartas incluídas, cancelas quando quiseres.

Ter a minha morada · 9,99 €/mês

Fontes: Guia Prático da Prova de Vida e comunicações da Segurança Social sobre a prova de vida de pensionistas no estrangeiro, consultadas a 18 de setembro de 2026. As datas, os países chamados e os procedimentos mudam de ano para ano: confirma sempre em seg-social.pt ou no teu posto consular antes de decidir. Esta página é informativa e não é aconselhamento fiscal ou jurídico. Ver também: quanto custa a reexpedição dos CTT em 2026, conta bancária bloqueada por dados desatualizados, a morada portuguesa para quem vive no estrangeiro e, em inglês, as cartas das Finanças para quem vive fora.